Os dois filhos de Stalin
Depois de Os dois filhos de Francisco mais uma nova superprodução do cinema nacional. Misturando dramalhões e tragicomédias, besteirol e pastelão, Os dois filhos de Stalin tem um enredo que gira em torno dos sonhos e ilusões de um grupo de (quase ou ex) amigos.
A estória começa como drama: descontentes com os rumos do sistema educacional de um aparelho do Partido Comunista um grupo de jovens começa a questionar o comportamento autoritário dos seus líderes e, por conta disso, são expurgados de uma célula do Partido e, entre ofensas e ressentimentos, decidem se dedicar a um novo projeto. É quando o rabo começa torcer a porca: trocando os pés pelas mãos os rapazes usam o dia da pátria para tentar concretizar um projeto pedagógico revolucionário recheado de assistencialismo barato, é quando seus egos começam a se mostrar maior que seus sonhos. As diferenças vão se tornando cada vez mais acentuadas na medida em que os planos totalitários de cada um começam a se chocar com os projetos alheios... O autoritarismo se mostra profundamente presente nas almas dos infelizes, e o tal projeto bem intencionado vai se tornando uma alegoria do Kremlin. Disputas, conchavos, reuniões obscuras e discussões regadas a álcool e arremedos de filosofia alemã, escondem os cinismos, as patuscadas, pantomimas e más intenções dos dedicados camaradas.
Nas paranóias stalinistas e no medo constante da traição, cada um se enxerga como a provável futura vítima e enquanto conspira se vê como o mais íntegro dos mortais e o redentor da humanidade. O que as patéticas personagens não conseguem entender é que cada uma constrói sua própria caricatura de Dom Quixote confundindo moinhos de ventos com gigantes. À moda moscovita, os paspalhões confundem seus camaradas com poderosos inimigos e se perdem em batalhas imaginárias; enquanto Stalin disputa o poder mundial os seis patetas lutam contra seus próprios fantasmas e só conseguem ser poderosos em arrogância e prepotência e sabendo ser impossível disputar o poder do império contenta-se com o sonho de ser o rei do Congo.
Como sói ocorrer com os mortais, a incapacidade de convivência decorre de um tolo orgulho que se baseia numa auto-imagem construída à imagem e semelhança dos seus deuses; os moços se acham muito melhores do que realmente são e se sentem injustiçados quando os olhos alheios não os vêem como gostariam de ser vistos.
Os atores não são dos melhores e o filme está longe de ser uma obra de arte mas, sem ser genial, consegue ser uma das mais interessantes alegorias sobre o stalinismo desde a Revolução das Bichas. É imperdível.
A estória começa como drama: descontentes com os rumos do sistema educacional de um aparelho do Partido Comunista um grupo de jovens começa a questionar o comportamento autoritário dos seus líderes e, por conta disso, são expurgados de uma célula do Partido e, entre ofensas e ressentimentos, decidem se dedicar a um novo projeto. É quando o rabo começa torcer a porca: trocando os pés pelas mãos os rapazes usam o dia da pátria para tentar concretizar um projeto pedagógico revolucionário recheado de assistencialismo barato, é quando seus egos começam a se mostrar maior que seus sonhos. As diferenças vão se tornando cada vez mais acentuadas na medida em que os planos totalitários de cada um começam a se chocar com os projetos alheios... O autoritarismo se mostra profundamente presente nas almas dos infelizes, e o tal projeto bem intencionado vai se tornando uma alegoria do Kremlin. Disputas, conchavos, reuniões obscuras e discussões regadas a álcool e arremedos de filosofia alemã, escondem os cinismos, as patuscadas, pantomimas e más intenções dos dedicados camaradas.
Nas paranóias stalinistas e no medo constante da traição, cada um se enxerga como a provável futura vítima e enquanto conspira se vê como o mais íntegro dos mortais e o redentor da humanidade. O que as patéticas personagens não conseguem entender é que cada uma constrói sua própria caricatura de Dom Quixote confundindo moinhos de ventos com gigantes. À moda moscovita, os paspalhões confundem seus camaradas com poderosos inimigos e se perdem em batalhas imaginárias; enquanto Stalin disputa o poder mundial os seis patetas lutam contra seus próprios fantasmas e só conseguem ser poderosos em arrogância e prepotência e sabendo ser impossível disputar o poder do império contenta-se com o sonho de ser o rei do Congo.
Como sói ocorrer com os mortais, a incapacidade de convivência decorre de um tolo orgulho que se baseia numa auto-imagem construída à imagem e semelhança dos seus deuses; os moços se acham muito melhores do que realmente são e se sentem injustiçados quando os olhos alheios não os vêem como gostariam de ser vistos.
Os atores não são dos melhores e o filme está longe de ser uma obra de arte mas, sem ser genial, consegue ser uma das mais interessantes alegorias sobre o stalinismo desde a Revolução das Bichas. É imperdível.