A cruz e a encruzilhada

Entre a cruz e a encruzilhada

Falta muito para o papa ser pop. Bento XVI perde feio para o seu antecessor no quesito carisma; mas ganha em coerência, nesse quesito até merece ao troféu Imprensa. Por mim os dois estariam nos quintos dos infernos mas, por enquanto, as notícias mais recentes dizem que só um deles chegou lá. Melhor para o que está vivo. Ratzinger é conservador, reacionário, fascitóide... é tudo que os inimigos da Santa Madre Igreja desejam para continuarem seus ataques àquela instituição que um dia foi a mais importante do planeta. Ocorre que o sujeitinho de cabelos brancos e sapatos vermelhos não é um bocoió qualquer e sua obra é inteligente e coerente; o seu reino não é para este mundo. Ele está certo, dogma não se muda com as fazes da lua e o crente não está livre para ter uma consciência sobre o que é o ‘verdadeiro’. Pior para os mais ou menos católicos, esses coitados que não sabem para qual lado devem rastejar e vivem a sofrer pelos pecados da incoerência.
A última do papa foi atacar as idéias de Nietzsche, segundo ele incompatíveis com o pensamento cristão. O bom velhinho tem razão mais uma vez. Cada um no seu quadrado, cada um no seu quadrado! Idéias são inconciliáveis, visões de mundo são inconciliáveis. Quando lutamos pelo que acreditamos lutamos contra a crença do outro e, portanto, contra o outro. O mundo é conflito não é irmandade, os meus valores não são os valores do papa nem os valores daqueles castos tiozinhos de vestidos compridos que caminham pelo Vaticano, para quem a renúncia à autonomia e à autorrealização são virtudes. Temos um papa que aponta inimigos, que não tem compaixão para com os espíritos fracos... Para os padrões nietzschianos, um papa menos cristão. Isso é bom, só falta agora ele dizer que não gosta de ouvir Slayer!