Desejos de vingança e rabanetes
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John Locke nem de longe é meu filósofo favorito, mas acredito que às vezes ele era um sujeito razoável. Ele sabia que a natureza doentia, as paixões e o desejo de vingança podem levar o homem longe demais nos seus anseios por punições alheias. A história que começa no olho por olho, dente por dente, pode nos levar às sepulturas ou ao inferno terrestre. Dar a outra face? O caralho! Nós adoramos vingança. Queremos a desgraça alheia, desejamos o mal para aquele que nos ofende. Quem nos dá um tapa merece muito mais que outro tapa, e nisso perdemos o senso de proporção. Locke deve ter lido a estória da Rapunzel e deve ter lembrado da bruxa malvada que trocou a pobre menina, ainda no útero da mãe, pelo punhado de rabanetes que seu pai havia roubado na sua horta. Não é razoável trocar crianças por rabanetes, mas o desejo de vingança é muito mais forte que a razão. No fundo somos todos umas bruxas malvadas.