Mostrando postagens com marcador livro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador livro. Mostrar todas as postagens

Roubar livros, cultivar o amor

Roubar livros, cultivar o amor
. 
Estão todos ali, perfilados, imóveis, esperando um gesto, um toque, um pouco de atenção. Concentrados em seus campos, cada um deles com seu número, lugar determinado e marcas de carimbo, cada um com sua ficha através das quais eles podem ser encontrados, ordenados e rotulados. Nos seus corpos uma história, talvez uma vida. São centenas, milhares, quase empilhados, todos em silêncio sepulcral mas vivos e prontos para nos mostrar um mundo. Um ao lado do outro, estão ali desejando um toque, uma escolha, um chamado, como as moças que no salão de baile esperavam um convite para uma dança. Eles te olham como quem, cheio de más intenções, pudessem dizer: me leve para sua casa, me tenha em suas mãos, me guarde em sua mente, me deixe te dar prazer, me deixe fazer parte da sua vida. São livros, presos em bibliotecas como crianças depositadas em orfanatos, não desejam muito, querem apenas um pouco de atenção, um olhar, uma mão estendida, desejam ser percebidos, querem que cada um de nós, humanos, possa reconhecer que eles têm vida em suas páginas e que elas podem de algum modo nos ser úteis. Em cada palavra e cada verbo há uma pulsação, em cada frase de cada capítulo um amontoado de sentidos e sentimentos. Não há crueldade mais vil que a do canalha que não se comove com a solidão de um livro abandonado, esquecido em estantes frias de corredores vazio ou da indiferença em relação às angustias daqueles que não aceitam ser somente um número, dos que não desejam ter um preço, dos que não querem ser mercadoria. Continue lendo